quinta-feira, 26 de junho de 2008

"Um dia minha vida vira um livro"

Estava eu sem nada para fazer clicando no orkut. Quando encontro a página de uma pessoa que passou intensos momentos da minha vida comigo, as vezes até acho que essa pessoa intensificou muitos desses momentos e sou grata por isso pois acho que sem ela não teria conhecido a bebida de muitos bares sujos da Augusta.
Fui na sacada fumar um cigarro e as lembranças tomaram conta de mim.
Lembrei de vários momentos com essa pessoa e das outras que conheci por meio dela. Pessoas interessantes, que qualquer ser mais tradicional pensaria ao primeiro olhar: "bando de jovens decadentes, vou chamar a polícia.".
Essa pessoa que chamarei de S. era muito geniosa, apaixonada pela vida, pela noite e pelas drogas, inteligente e com uma visão muito peculiar das coisas. Ela costumava dar cores para tudo, inclusive para as pessoas. Entrar no mundo dela era quase entrar no mundo de Oz com direito a um sapatinho vermelho. Eu estava mais para a bruxa branca até então.
Ela carregava com ela uma "mãe", mais nova e mais sensata. Ela queria ser jornalista, mas você já reparou que todos que sabem escrever querem ser jornalistas?
Essa menina era apaixonada pela S. de uma maneira tão única que ela era capaz de qualquer coisa para ficar ao seu lado, inclusive fugir de casa com a desculpa de uma mãe pertubada. Minha razão sempre disse que era burrice, embora meu coração sempre tenha entendido.
Elas sempre falaram de escrever um livro sobre a vida da S., as drogas, a família, as cores, o amor, São Paulo, em fim, a vida da S. e sua mochilaa vermelha. Elas até tinham um nome para ele que não me recordo.
Depois que virei a bruxa má, por não concordar nem rir mais das besteiras e das drogas, por não querer mais ir para a Augusta e toda essa festa começar a me atrapalhar, elas foram embora. No começo até tinha uma notícia ou outra hoje sei que a menina que ia escrever o livro não mora mais em São Paulo e a S. anda com uns punks por aí.
Mas é engraçado pensar no livro, imaginar como ele estaria hoje ou como ficaria daqui uns anos. E nas pessoas que querem sua vida publicada. Bob Dylan escreveu o seu. Eric Clapton também. Até Oprah. Se Joey Ramone tivesse escrito seriam 500 páginas com a palavra heroína. Christiane F. ficou famosa.
A outra pessoa que hoje ocupa o lugar dela também quer.
Se eu escrevesse um livro da minha vida seria um manual de como ser criança, não tenho tantas histórias assim. Mas um dia talvez escrevo dois livros biográficos sobre a família de minha mãe e de meu pai. Um criança no orfanato da época da ditadura e outro de imigrantes japoneses têm mais público que um livro infanto-juvenil com belas imagens, né Madonna?
Por enquanto me divirto com as pessoas que acham que alguem tem interesse nas suas vidas, afinal, eu sou a bruxa má.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Eu acho que vi...

A Gestalt surgiu na segunda década do século passado, como uma espécie de resposta para o atomismo psicológico, onde o todo e o complexo eram formados pela reunião de elementos mais simples.
Haviam duas correntes da Gestalt, os monistas e os dualistas. O primeiro acreditada que a percepção viria da ordem: percepção sensorial -> forma -> sensação.. O que gera maior dependencia das partes pelo todo.
Os dualistas possuem mais vesquícios do atomismo psicológico, uma vez que acreditam que o espírito é responsável para unirmos o todo que é primeiramente pescebido pelas partes.
Chgou-se até a formar uma "filosofia informal" da Gestalt, que acredita na sensação global variável dependendo da forma/evento, ou seja, o mesmo fato pode ser percebido de diferentes formas se pelo menos um objeto presente na cena for diferente.Max Wertheimer, Kurt Koffka e Wolfgang Köhler tornaram-se os nomes mais influentes na escola. Que acabou expandindo para a biologia, a física além da psicologia, ciências que juntas levaram aos gestaltistas não admitir a existência de um espírito, de alma, mas que tudo se reduz à matéria bruta, sendo as formas psicológicas o subjetivo das fisiológicas e estas apenas reduzidas às formas físicas.
Para compreender as imagens, é presciso organizar a percepção de maneira inconsciente ou não. Isso ocorre através da maneira de apresentação da forma, que pode geral a associação e o contraste. A proximidade das formas sem delimitação nos faz homogeniza-las, essa é a associação. A segunda, é o contrário, é a percepção das formas pelas diferenças, como por exemplo o ciaro/scuro, na arte romantica e afrescos. Estas percepção dão-se pelo todo e podem ocorrer simultaneamente.
A forma e o fundo dão outra percepção, a forma gera a figura ou a imagem em primeiro plano. E o fundo todo o resto, que se dividem pelas linhas e contornos. Se há inversão do contorno do fundo e da figura, o fundo passa a ser a figura e vice-e-versa. Se não há linhas que definam muito bem o contorno entre fundo e figura estes passam a alternar-se, em outras palavras uma hora percebemos o fundo e a figura, e na outra o fundo torna-se a figura e a figura o fundo.
Mas vale ressaltar que na hora de percepção de uma figura, vários fatores externos influenciam, como luz e sombra, tamanho e localização, o sistema nervoso, a subjetividade do indivíduo como a sociedade, histórias, formação, grau escolar, etc.
Essa separação não ocorre apenas com imagens, mas com outras situação como a música por exemplo.
Salvador Dalí, pintor surrealista catalão, brincava com essa percepção em seus quadros, a assimilação, formas e toda a subjetividade do interlocutor para a percepção de suas obras. O Surrealismo foi uma escola que valorizava essa percepção gestaltiniana:
"As características deste estilo: uma combinação do representativo, do abstrato, e do psicológico. Segundo os surrealistas, a arte deve se libertar das exigências da lógica e da razão e ir além da consciência cotidiana, expressando o inconsciente e os sonhos. "




Existem diversas imagens que bricam com essas barreiras de percepção:



A publicidade, mesmo que às vezes inconsciente, utiliza da Gestalt para atingir seu público. Quanto mais estuda seu publico-alvo, maior é a compreensão de sua subjetividade, formas de percepção e assim encontram uma maneira de induzir necessidades mais efetivamente.
Mas as vezes ocorrem ruídos que levam ao consumidor a achar que estão sendo manipulados e surgem as chamadas propagandas subliminares.
Segue alguns exemplos do uso explícito da Gestalt na propaganda.



Para todo e qualquer tipo de coração...

Ladies, please....











Bom namoro, com quem e o que for...